PL endurece punições e propõe imprescritibilidade para crimes graves contra mulheres

Um projeto de lei apresentado no Senado propõe endurecer as punições para crimes graves cometidos contra mulheres. Pela proposta, os crimes de feminicídio, estupro e estupro de vulnerável passarão a ser imprescritíveis, ou seja, poderão ser julgados e punidos mesmo décadas após a ocorrência dos fatos.

A imprescritibilidade também se aplicará ao crime de lesão corporal dolosa (intencional) contra mulher, nos casos em que a lesão for grave, gravíssima ou resultar em morte.

A iniciativa tem como objetivo oferecer uma resposta mais rígida à violência de gênero, com foco na proteção da dignidade e da integridade física e psicológica das mulheres, além de combater a impunidade nesses casos.

O projeto (PL 1.576/2026), da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), também proíbe a progressão de regime penal nesses crimes. Para tanto, o altera o Código Penal, a Lei dos Crimes Hediondos e a Lei de Execução Penal.

Na justificativa, a senadora cita dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública para evidenciar que os índices de feminicídio e estupro seguem em níveis elevados no país.

“Mais de 70% das vítimas de feminicídio são mortas por parceiros ou ex-parceiros; os casos de estupro ultrapassam 70 mil registros anuais, com forte subnotificação. Precisamos fortalecer a proteção penal das mulheres diante do significativo número de crimes violentos baseados em gênero, notadamente o feminicídio, o estupro e outras formas graves de violência.”, afirma a senadora na justificativa do projeto.

Atualmente, a Constituição Federal prevê a imprescritibilidade apenas para os crimes de racismo e de ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito — que também são inafiançáveis, impedindo a soltura do detido mediante pagamento de fiança.

“A gravidade dessas condutas, que atentam contra a dignidade da pessoa humana e revelam padrões estruturais de violência, justifica tratamento penal mais rigoroso”, adiciona. 

Com informações da Agência Senado

Foto: Josualdo Moura/TV Globo