O Itamaraty emitiu alertas sobre a possibilidade de intervenções militares dos Estados Unidos em solo brasileiro.
O aviso surgiu em respostas oficiais a questionamentos de parlamentares, motivado pela rotulagem das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelo governo estadunidense.
Em um documento enviado em 1º de julho, o chanceler Mauro Vieira respondeu ao requerimento do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), apontando o risco da força militar estrangeira no Brasil.
“Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, alerta o documento.
O chanceler Mauro Vieira destacou que a designação feita pelos Estados Unidos pode acarretar consequências severas para a economia e a soberania do Brasil.
Ele alertou que tal medida permitiria que autoridades americanas implementassem sanções administrativas e judiciais unilaterais com alcance extraterritorial, visando indivíduos, companhias e entidades nacionais.
O ministro ressaltou que o governo brasileiro não recebeu nenhum comunicado formal sobre a decisão de rotular as facções criminosas como grupos terroristas, uma ação que ele avalia não trazer ganhos reais para a segurança de ambas as nações.
Respondendo ao deputado Evair Vieira de Melo, Vieira disse que essa classificação unilateral poderia servir de pretexto para intervenções externas em áreas críticas como o sistema financeiro, penal e migratório brasileiro, inclusive com o risco de emprego de força militar estrangeira no país.
Este cenário se agravou desde que as facções PCC e CV foram catalogadas como terroristas pelos EUA em maio.
Recentemente, o Departamento de Tesouro americano impôs sanções a 2 cidadãos e 3 empresas do Brasil, sob a alegação de envolvimento com o PCC.
Em uma manifestação anterior, datada de 29 de maio deste ano, o ministro Mauro Vieira já havia alertado sobre o perigo de operações militares dos EUA em solo nacional.
Esse posicionamento consta em um ofício enviado ao deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), que, assim como outros parlamentares, protocolou um pedido formal de explicações ao Ministério das Relações Exteriores acerca dessa possibilidade.
“No plano estratégico e econômico, tal reclassificação tenderia a militarizar a agenda regional de combate ao crime organizado, elevar custos de compliance das empresas e do sistema financeiro nacional e penalizar atividades lícitas”, afirmou.
O ministro avalia que, além de não gerar benefícios concretos, a classificação das facções como terroristas pode prejudicar a cooperação entre forças policiais dos dois países:
“ao introduzir confusão entre dois fenômenos claramente diferentes à luz da legislação brasileira: o crime organizado e o terrorismo”.
Com informações da Agência Brasil
Foto: Luis Veiga














