O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (7), Dia Mundial da Saúde, o Memorial da Pandemia, em homenagem às mais de 700 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. Instalado no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), no Rio de Janeiro, o espaço marca também a reabertura do centro cultural à população.
O memorial reúne uma instalação digital com os nomes das vítimas, um monumento, uma escultura de Darlan Rosa, criador do personagem Zé Gotinha, e um parquinho temático voltado ao público infantil, com foco na promoção da vacinação.
A iniciativa também prestou homenagem a jornalistas e veículos de comunicação que atuaram na cobertura da pandemia.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o espaço tem o papel de registrar as consequências do negacionismo científico durante a crise sanitária e reforçar o compromisso com a ciência e a saúde pública.
“O Brasil viveu, durante a pandemia, não apenas uma crise sanitária, mas uma crise de responsabilidade pública. O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população. O que vimos foi o oposto: desinformação, descrédito da ciência e até a banalização do sofrimento de quem estava doente. Isso não pode ser normalizado nem esquecido”, afirmou o ministro da Saúde.
Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid
Elaborado em parceria com a Fiocruz, o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do SUS consolida orientações para identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da doença, substituindo normativas anteriores e estabelecendo uma referência única para todos os níveis de atenção do sistema público de saúde.
O documento abrange manifestações clínicas que podem surgir a partir de 4 semanas após a infecção, inclusive em casos leves ou assintomáticos, e contempla complicações nos sistemas cardiovascular, respiratório e neurológico, além de saúde mental. Inclui protocolos diagnósticos, recomendações terapêuticas e fluxos assistenciais, com atenção a populações vulneráveis.
A publicação responde a uma demanda expressiva: estimativas indicam que cerca de um quarto dos brasileiros que contraíram Covid-19 apresentam sintomas persistentes. Ao padronizar condutas e integrar serviços na Rede de Atenção à Saúde, o guia busca reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dessa parcela da população.
Investimento
A reabertura do Centro Cultural do Ministério da Saúde integra as ações do Novo PAC voltadas à recuperação do patrimônio cultural brasileiro, com investimento de cerca de R$ 15 milhões na requalificação do espaço. O centro passa a funcionar como espaço permanente de articulação entre saúde, cultura e memória.
Localizado na Praça Marechal Âncora, no centro do Rio de Janeiro, o edifício tem história ligada a diferentes fases da administração pública brasileira: surgiu como pavilhão de um dos principais eventos nacionais do início do século 20, foi posteriormente utilizado em ações de vigilância sanitária e, a partir de 2001, transformado em centro cultural.
Próximos passos
Em junho, o CCMS receberá a exposição “Vida Reinventada”, com curadoria da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima e projeto expográfico de André Cortez. A mostra propõe uma leitura coletiva das respostas da sociedade à pandemia, articulando memória, ciência, arte e justiça. A programação inclui seminários, mostra de filmes e ações educativas.
O Ministério da Saúde tem como objetivo consolidar o Memorial da Pandemia como referência nacional de memória pública, mantendo o tema presente no debate público por meio de ações culturais, científicas e educativas nos próximos anos.
Fonte: Ministério da Saúde
Foto: Walterson Rosa/MS
















