Todo ser vivo nasce, cresce, se reproduz e morre. Esse é o curso natural e esperado, da vida – exceto para alguns pouquíssimos animais que têm a incrível capacidade de driblar o envelhecimento e, consequentemente, a própria morte. Entre as detentoras da receita da imortalidade, duas espécies têm despertado a atenção dos cientistas: a Hydra vulgaris, um pequeno invertebrado que vive em águas doces e limpas, e a Turritopsis dohrnii, uma espécie de água-viva originária da região do Mediterrâneo.
A diferença desses animais para o restante dos mortais está no fato de eles conseguirem evitar a senescência: processo biológico que ocorre nas células, caracterizado pela perda gradual da habilidade de se dividir e se renovar. “Em resumo, significa que se esses bichos não forem predados e nem passarem por nenhum tipo de catástrofe ambiental, eles podem, sim, viver por um período infindável, caracterizando o que a ciência chama de imortalidade biológica”, explica a pesquisadora científica do Laboratório de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantan (LETA) Mônica Lopes-Ferreira.
O envelhecimento celular, um processo intrínseco à vida humana, foi elucidado pelo médico norte-americano Leonard Hayflick (1928-2024) na década de 1960. Suas pesquisas demonstraram que as células humanas possuem um “relógio biológico” que limita o número de vezes que elas podem se dividir – algo entre 40 e 60 vezes. Ao atingir esse limite, as células entram em um estado de senescência, desencadeando uma cascata de eventos que culminam no envelhecimento do organismo e no desenvolvimento de doenças relacionadas à idade.
Escapar da morte, o destino inevitável de todos os seres vivos, só seria então possível caso houvesse uma tecnologia de reparo interno capaz de restaurar as células do organismo ao seu estado mais jovem – algo que ainda não foi realizado em laboratório, mas que já foi registrado na natureza.
Fonte: Agência SP
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