O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como a “inflação do aluguel”, encerrou o ano de 2025 com uma queda acumulada significativa de 1,05%. O indicador, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou em dezembro uma variação negativa de 0,01%, consolidando um cenário de deflação ao longo do ano.
O Que é Inflação?
Para entender o impacto desse número, é crucial compreender o conceito de inflação. A inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços em uma economia. Quando a inflação está alta, o poder de compra da moeda diminui, pois é preciso mais dinheiro para comprar a mesma quantidade de produtos.
No Brasil, o índice mais utilizado para medir a inflação oficial é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O mercado financeiro prevê que o IPCA fechará 2025 em 4,32%, um resultado abaixo do limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% (meta central de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual).
IGP-M: A “Inflação do Aluguel” e Seu Impacto
O IGP-M, no entanto, é o indicador que historicamente serve como referência para o reajuste de diversos contratos na economia brasileira, incluindo:
- Aluguéis: É o principal fator que altera anualmente o valor dos contratos de locação.
- Contas de consumo: Tarifas de luz e telefone.
- Serviços: Mensalidades escolares, planos de saúde e seguros.
Por que o IGP-M Altera os Contratos?
A razão pela qual a variação do IGP-M afeta o aluguel e outros contratos está na sua função como mecanismo de correção monetária. Esses contratos geralmente preveem uma cláusula de reajuste anual para que o valor da prestação de serviço ou do aluguel mantenha seu poder de compra. Se o índice sobe, o contrato é reajustado para cima; se cai, o contrato pode ser reajustado para baixo.
Com a queda de 1,05% acumulada em 2025, muitos contratos de aluguel que utilizam o IGP-M terão uma revisão de valor para baixo no seu aniversário, trazendo alívio para o bolso dos inquilinos.
A Análise Econômica da Queda
Segundo o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, o resultado negativo do IGP-M em 2025 reflete um ano de “desaceleração da atividade global e elevada incerteza”.
“O IGP-M encerra 2025 com queda acumulada de 1,05%, resultado que reflete um ano marcado pela desaceleração da atividade global e elevada incerteza. Esses fatores limitaram repasses de custos, impactando, principalmente, os preços ao produtor”, afirma Dias.
O economista também destaca a melhora das safras agrícolas como um fator crucial, contribuindo para aliviar os preços das matérias-primas e reforçar o movimento de deflação no índice.
A queda do indicador “sugere um ambiente de menor pressão de custos para 2026”, sinalizando um possível ciclo de estabilidade e menor repasse de preços para a economia nos próximos meses.
Ficha Técnica do IGP-M
- Variação Acumulada em 2025: $-1,05%$ (Queda)
- Variação em Dezembro de 2025: $-0,01%$ (Queda)
- Entidade Responsável: Fundação Getulio Vargas (FGV)
- Período de Medição: Do dia 21 de um mês ao dia 20 do mês seguinte.









