O orçamento das famílias paulistanas sentiu o peso dos reajustes em transportes e cursos educacionais no início do ano.
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o percentual de lares com algum tipo de dívida subiu de 70% em fevereiro para 71,1% em março, enquanto a inadimplência avançou de 20,4% para 20,9% no mesmo período.
Na prática, a capital paulista conta hoje com 3,2 milhões de famílias endividadas e cerca de 940 mil inadimplentes, números superiores aos registrados em março de 2024, quando o endividamento era de 69,2% e a inadimplência, de 19,3%. Ainda assim, a FecomercioSP avalia que o cenário não é grave o suficiente para gerar reflexos mais amplos na economia da cidade.
A inadimplência cresceu tanto entre famílias com renda abaixo de dez salários mínimos, de 25,2% para 25,6%, quanto entre as de renda superior, onde passou de 8,6% para 9,2%. O endividamento seguiu a mesma tendência: 74,5% no grupo de menor renda e 61,3% no de maior renda, ambos acima dos índices de fevereiro e de março de 2025.
Onde estão as dívidas
O cartão de crédito concentra a maior parte das dívidas, respondendo por 79,3% dos casos, ante 78,7% em fevereiro. Na sequência aparecem o financiamento imobiliário (16%), o crédito pessoal (12,3%) e o financiamento de veículos (10,5%). O crédito consignado, em 5,8%, atingiu o maior patamar desde outubro de 2024.
Sinais de alívio
Um indicador positivo é o recuo do tempo médio de comprometimento com dívidas, que caiu de 7 para 6,8 meses, sugerindo maior prudência das famílias em relação a compromissos de longo prazo. Outro ponto de alívio é a parcela da renda comprometida com dívidas: 26,7% em março, um dos menores níveis da série histórica, indicando que o crédito de curto prazo ainda é tomado em volume relativamente moderado.
Por outro lado, cresceu o número de famílias que pretendem contratar crédito ou financiamento nos próximos três meses, de 10,8% para 11,4%, e 83% delas afirmaram que os recursos serão destinados a consumo e compras correntes.
PIX perde espaço para o parcelado
O PIX segue como a modalidade considerada mais vantajosa pelos consumidores, com 29,7%, mas recuou em relação ao período anterior. O cartão de crédito parcelado avançou e aparece em segundo lugar, com 23,6%.
A FecomercioSP interpreta esse movimento como reflexo da menor disponibilidade de dinheiro em conta e da maior necessidade de recorrer ao crédito, tendência esperada após o fim das promoções de Natal e das liquidações de início de ano, quando os varejistas incentivaram pagamentos via PIX com descontos.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor é realizada mensalmente desde fevereiro de 2004, com cerca de 2,2 mil entrevistados na capital paulista.
Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
















