O Jardim Botânico Municipal de Bauru passou a integrar este ano a Illegal Plant Trade Coalition (IPTC), integração global que reúne 135 jardins botânicos no combate ao comércio ilegal de plantas. A iniciativa é promovida pelo Botanic Gardens Conservation International (BGCI), organização sediada no Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, que articula uma rede mundial de especialistas em conservação vegetal, educação ambiental e pesquisa científica.
A Illegal Plant trabalha em conjunto com diversas instituições para abordar, entender e mitigar os impactos negativos do comércio ilegal de plantas, uma ameaça direta à conservação da biodiversidade vegetal.
Campanha local mobiliza parceiros estratégicos
Em abril de 2024, o Botanic Gardens promoveu uma campanha mundial sobre o tema, convidando jardins botânicos parceiros a sensibilizar o público por meio de suas redes sociais. Em resposta, o Jardim Botânico de Bauru criou a campanha educativa “Comércio Ilegal não é Legal: Todos contra o comércio de plantas”, com o objetivo de orientar a comunidade sobre a problemática e as formas legalizadas de lidar com plantas sem prejudicar a biodiversidade.
As ações incluem distribuição de materiais educativos, palestras em escolas, participação em eventos e feiras ambientais, além de divulgação nas redes sociais e para visitantes do Jardim Botânico. Devido à repercussão positiva da campanha, o Jardim foi convidado pelo Botanic Gardens a integrar oficialmente a Illegal Plant Trade Coalition.
O próximo passo é estimular que outros jardins botânicos da Aliança Brasileira de Jardins Botânicos também participem da iniciativa. Atualmente, apenas 4 jardins botânicos brasileiros integram a coalizão.
A ameaça silenciosa
O número anual de espécies vegetais ameaçadas de extinção supera em muito o de espécies animais. Desde 1800, 571 espécies de plantas foram extintas. O comércio ilegal traz consequências graves:
- Contribui para a extinção de espécies
- Perturba a dinâmica dos ecossistemas naturais
- Prejudica a economia de povos originários
- Causa perda de conhecimentos culturais e tradicionais
- Introduz plantas e patógenos invasores
- Estimula a retirada ilegal de plantas da natureza
A internet no comércio ilegal
O comércio pela internet intensificou a negociação ilegal de plantas, permitindo que vendedores e compradores operem com relativa facilidade e pouca detecção pelos órgãos fiscalizadores. Isso expande o comércio ilegal e aumenta a pressão sobre populações de plantas nativas, extraídas de forma insustentável e predatória.
A campanha ‘Comércio Ilegal não é Legal’, criada pelo Jardim Botânico de Bauru, sugere pontos de atenção que o público pode ter ao adquirir plantas.
- Nunca coletar plantas da natureza – retirar espécies nativas é crime ambiental
- O transporte de plantas vivas não é permitido pelos Correios – são necessárias diversas documentações, certificações e autorizações para que isso seja possível
- Evite comprar plantas pela internet
- Busque vendedores legalizados
- Não adquira espécies ameaçadas de extinção – o Jardim Botânico pode auxiliar na identificação destas espécies





Foto: Prefeitura de Bauru / Reprodução











