A campanha Dezembro Vermelho é dedicada à conscientização sobre o HIV/Aids e outras ISTs. De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2024, do Ministério da Saúde, o Brasil já contabilizou 1.165.599 casos de Aids desde 1980, com média anual de 36 mil novos registros nos últimos cinco anos.
Para Paulo Antônio de Carvalho, infectologista do Hospital Estadual de Franco da Rocha, a procura pelos serviços de testagem tem aumentado, especialmente entre pessoas que passaram por situações recentes de risco, o que representa um comportamento positivo. Ainda assim, ele avalia que esse movimento precisa ganhar força para acelerar a detecção precoce.
Janela Imunológicas
A janela imunológica é o período entre a infecção pelo HIV e a produção de anticorpos contra o vírus pelo organismo em uma quantidade suficiente para serem detectados pelos testes, como o teste rápido. Na maioria dos casos, a duração da janela imunológica pode ser de 15 a 90 dias após a exposição. Mas geralmente, após 30 dias já é possível identificar.
Além disso, se a relação de risco ocorreu em até 72 horas (3 dias), especialistas indicam procurar uma unidade de saúde, relatar a situação e verificar se é indicado fazer uma Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV.
Diferença de PEP e PrEP
A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é uma estratégia de prevenção ao HIV indicada para pessoas que podem se expor ao vírus com frequência. Ela consiste no uso de medicamentos antes do contato com o HIV, de forma contínua, reduzindo de maneira significativa o risco de infecção. Quando tomada corretamente, a PrEP oferece alta proteção e é disponibilizada gratuitamente pelo SUS no Brasil.
Já a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é uma medida de emergência, utilizada após uma situação de risco, como uma relação sexual sem camisinha ou um acidente com material biológico. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, em até 72 horas após a exposição, e precisa ser seguido por 28 dias consecutivos para ser eficaz na prevenção do HIV.
A principal diferença entre PrEP e PEP está no momento de uso: enquanto a PrEP é usada antes da exposição como forma preventiva contínua, a PEP é utilizada depois da exposição, apenas em situações pontuais de risco. Ambas são estratégias importantes de prevenção combinada, mas não substituem o uso do preservativo, que também protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Tem cura?
O infectologista comenta que, com os avanços no tratamento, a queda da carga viral costuma ser rápida entre pacientes com boa adesão, e a maioria atinge carga viral indetectável entre 90 e 180 dias. “A adesão diária é o ponto-chave. Os medicamentos atuais são potentes e seguros, mas precisam ser tomados corretamente.”
Ele lembra que, mantida a indetectabilidade por pelo menos seis meses, a pessoa não transmite o HIV por via sexual, conceito respaldado por estudos internacionais. “É um dado que muda vidas e relacionamentos, porque reduz o estigma e evidência que é possível viver com qualidade.”
Mesmo após atingir carga viral indetectável, o acompanhamento ambulatorial deve continuar. O segmento inclui exames periódicos, avaliação de possíveis comorbidades e rastreamento de outras infecções. “O tratamento do HIV não termina quando a carga viral zera. O cuidado é contínuo”, afirma.









