Segundo dados divulgados nesta terça-feira (17), que faz parte do estudo de Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais, publicado pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), quase metade (44%) dos bebês de até 2 anos e 71% das crianças de 3 a 5 anos têm acesso à internet.
Segundo especialistas não é recomenda o uso de telas para menores de 2 anos, e para crianças entre 2 e 5 anos o tempo tem que ser limitado a até uma hora por dia, sempre com supervisão de um adulto responsável.
Vulnerabilidade

Segundo os dados da pesquisa 69% das crianças de famílias de baixa renda são expostas a tempo excessivo de tela. Isso é impacto direto da sobrecarga de trabalho dos responsáveis e da desigualdade social. A falta de politicas publicas e as questões sociais estruturais reforçam as famílias a recorrerem aos dispositivos. O uso de telas é só a ponta do iceberg.
Responsáveis com baixa renda costumam ter jornadas de trabalho exaustivas, por conta do longo percurso no transporte público, e horas extras, utilizam o celular como um recurso para distrair as crianças enquanto fazem a segunda jornada de trabalho, o trabalho doméstico.
Com a falta de rede de apoio, espaços públicos de qualidade e seguros e atividades gratuitas e perto de suas casas para que as crianças se distraiam e gastem energia no contra turno da escola, as crianças usam a internet para brincarem.
Durante a pandemia, por exemplo, um relatório detectou que 88% das famílias, majoritariamente de baixa renda, tiveram que recorrer às telas quando não tinham tempo para os filhos e somente 29% das crianças em favelas brasileiras tinham locais adequados para brincar
Desenvolvimento
O uso excessivo de telas é comparado a ingestão de comida de fast-food gerando uma “obesidade cognitiva” da distração permanente, que afeta principalmente aqueles que não possuem recursos culturais e econômicos para limitar o uso de dispositivos.
O uso demasiado desses dispositivos vicia por conta de vários fatores, um deles é a liberação de dopamina no organismo, que é um neurotransmissor ligado ao prazer e recompensa. Por isso, a cada curtida, comentário ou notificação, cria um ciclo vicioso de busca por mais gratificação imediata, que pode afetar a atenção, memória e levar à ansiedade e comparação social.
De acordo com o material divulgado nesta terça-feira pelo NCPI, o uso intenso de mídias digitais está associado a alterações na anatomia do cérebro, com possíveis prejuízos ao processamento visual e a funções cognitivas como atenção voluntária, reconhecimento de letras e cognição social.
Por isso, as recomendações são a necessidade de políticas públicas intersetoriais que integrem saúde, educação, assistência social e proteção de direitos. Também é importante fortalecer redes de apoio às famílias, garantir espaços públicos para o brincar e promover a educação digital desde os primeiros anos de vida, de modo que as crianças cresçam em ambientes equilibrados, com vínculos reais e experiências fundamentais para o desenvolvimento.











