Quase 7 anos depois, Brumadinho ainda vive em estado de alerta

Em janeiro de 2026, completam-se sete anos da tragédia de Brumadinho: o rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, em Minas Gerais. O desastre, que deixou 272 mortos e desaparecidos, ainda causa impactos nas comunidades e rios da região devido à contaminação ambiental. A Vale é a empresa responsável pela barragem.

Um estudo realizado pela UFMG, Universidade Federal de Minas Gerais, indica que 70% dos domicílios do município relatam algum tipo de adoecimento físico ou mental, evidenciando que os impactos da tragédia persistem até hoje.

Sintomas como insônia, estresse, ansiedade, hipertensão e episódios depressivos continuam recorrentes entre a população.

Contaminação no dia a dia

A pesquisa revelou que 77% das famílias de Brumadinho vivem com medo constante de contaminação de alimentos e bebidas. A água aparece como o principal vetor de risco, registrando 85% dos domicílios relatando impactos no uso de água.

“Temos relatos de familiares que desenvolveram diabetes, lúpus, câncer, dermatites crônicas e problemas de coração, além do crescimento do uso de ansiolíticos que também é visível”, diz Nayara Porto, presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão, Avabrum.

“É inadmissível conviver com insegurança hídrica, adoecimento e medo tantos anos depois. O estudo só comprova que a vida não voltou ao lugar”, relata Josiane Melo, diretora da Avabrum à Agência Brasil.

Ricardo Machado Ruiz, professor e um dos autores da pesquisa, explica que a mineração desempenhava papel central na economia local, mas com o rompimento, a estrutura produtiva passou a depender dos recursos da reparação.

“Se nada for feito para substituir aquela atividade mineradora, ainda restará essa perda bilionária dentro do município”, relata o professor. 

Foto: Lucas Sharif/ Mídia Ninja/ Reprodução