Israel e Gaza anunciam cessar-fogo para esta sexta-feira (10)

Após quatro dias de negociação, acordo de cessar-fogo, retirada de tropas e liberação de reféns é assinado nesta quinta-feira (09)

Fonte: www.reuters.com

Nesta quinta-feira, foi assinado um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza e de entrega de reféns entre Israel e o grupo Hamas, após dois anos de guerra. Na primeira fase do acordo, Israel afirma que recuará suas tropas da Faixa de Gaza e libertará os reféns palestinos, em troca da libertação dos reféns israelenses. A expectativa é de que os reféns sejam liberados a partir de sábado (11).


A proposta de um “Conselho da Paz” liderado por Donald Trump teria partido do próprio ex-presidente dos Estados Unidos, segundo fontes próximas ao Partido Republicano. O plano, ainda informal, sugere a criação de um governo temporário internacional para administrar Gaza após o cessar-fogo, até que eleições possam ser realizadas.

A proposta prevê um governo internacional temporário chamado “Conselho da Paz”, chefiado por Trump, com outros membros e chefes de Estado, como o ex-primeiro-ministro do Reino Unido.

O acordo indica que o território palestino não será anexado por Israel e que o Hamas não terá participação no futuro governo da região. O controle de Gaza seria cedido à Autoridade Palestina, e a proposta inclui a retirada gradual das forças israelenses da região e a desmilitarização de Gaza.

Faixa de Gaza

Após dois anos de conflito, cerca de 67 mil palestinos foram mortos e 170 mil ficaram feridos. A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, quando o grupo Hamas realizou um ataque em território israelense que matou 1.200 pessoas e sequestrou outras 250.


Porém, o conflito não é atual; ele remonta a antes da fundação do Estado de Israel, em 1948. O conflito teve início em 1917, com a Declaração Balfour, na qual o governo britânico apoiou o estabelecimento de um Estado judeu permanente na Palestina. A declaração não abordou as aspirações nacionais da população árabe indígena.

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) votou pela divisão da Palestina em um Estado árabe e um Estado judeu. Embora os sionistas, movimento judeu que defendia a “restauração” de um Estado judeu independente, tenham aceitado esse Plano de Partição, o lado árabe o rejeitou.

A rejeição árabe levou à guerra após a declaração de independência de Israel, em 1948, quando forças do Egito, Síria, Jordânia, Iraque e Líbano invadiram o território, resultando na separação da Cisjordânia (para a Jordânia) e Gaza (para o Egito), e no fato de que a Palestina nunca nasceu. Em 1967, a Guerra dos Seis Dias resultou na vitória de Israel, que capturou Gaza e a Cisjordânia, aumentando seu território.

Ainda em 1967, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob o poder político e militar de Yasser Arafat, levou o conflito para arenas internacionais, incluindo ações terroristas como o ataque aos atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

As Intifadas, revoltas palestinas contra o governo israelense, marcaram o final do século XX. A Primeira Intifada começou em 1987 e terminou em 1993, com os Acordos de Oslo. Porém, não houve uma resolução das divergências pendentes, o que levou à eclosão de uma Segunda Intifada, em 2000.

As Intifadas, revoltas palestinas contra o governo israelense, marcaram o final do século XX. A Primeira Intifada começou em 1987 e terminou em 1993, com os Acordos de Oslo. Porém, não houve uma resolução das divergências pendentes, o que levou à eclosão de uma Segunda Intifada, em 2000.

Após a retirada de Israel de Gaza, em 2005, o território caiu sob controle do Hamas em 2007, o que levou Israel e o Egito a imporem um cerco rigoroso, que perdura até hoje. A violência tem sido constante, com uma nova escalada em 2021. A crise mais recente ocorreu em outubro de 2023.